Photo 22 Jan Hard Voice

Hard Disk. Hard Voice. Sinto-me maquina apertando parafusos mentais, corrigindo
idéias. Dou seqüência à linha de montagem de conceitos padronizados. Copiando os
velhos operários, vejo os carros pretos saindo todos iguais todos sem tesão. Tento
comprar o meu, mas não tenho dinheiro. Sinto-me Hard Disk, apertando cérebros
incontidos. Hard Voice proliferando a palavra do Senhor Capital. Voz sem tesão,
totalmente artificial.

Hard Voice

Hard Disk. Hard Voice. Sinto-me maquina apertando parafusos mentais, corrigindo

idéias. Dou seqüência à linha de montagem de conceitos padronizados. Copiando os

velhos operários, vejo os carros pretos saindo todos iguais todos sem tesão. Tento

comprar o meu, mas não tenho dinheiro. Sinto-me Hard Disk, apertando cérebros

incontidos. Hard Voice proliferando a palavra do Senhor Capital. Voz sem tesão,

totalmente artificial.

Photo 28 Jun 2 notes Já não posso me curar de mimUm traço de tristeza que eu mesma tatueiPensamentos leves a ponto de existir na presença dos outrosNão é simples verborragiaÉ onda reverberadaSensação que vai, bate na borda e retorna, menor e invertidaTolices de uma alma oferecidaO círculo do inútil estará sempre em meu pulsoSei que te feriMas continuo apostando mais na minha dorNunca temi afogar-meVocê, sempre…

Já não posso me curar de mim
Um traço de tristeza que eu mesma tatuei
Pensamentos leves a ponto de existir na presença dos outros
Não é simples verborragia
É onda reverberada
Sensação que vai, bate na borda e retorna, menor e invertida
Tolices de uma alma oferecida
O círculo do inútil estará sempre em meu pulso
Sei que te feri
Mas continuo apostando mais na minha dor
Nunca temi afogar-me
Você, sempre…

Photo 14 May 6 notes Memória
Amar o perdidodeixa confundidoeste coração.
Nada pode o olvidocontra o sem sentidoapelo do Não
As coisas tangíveistornam-se insensíveisà palma da mão
Mas as coisas findas,muito mais que lindas,essas ficarão.


Meu poema favorito do Carlos Drummond de Andrade 

Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Meu poema favorito do Carlos Drummond de Andrade 

Text 11 Mar 1 note Ignorância Torpe

Desejo é asa que voa para o infinito

Virtuosidade é atitude resignada

Vida é volúpia até o último minuto

Conquista é um risco perigoso

Sofrimento é uma intimidade que se supõe

quase impossível

Esperança é instrumento de auto- martírio

Desamor é a pior das ingratidões

Solidão é faca enferrujada que te rasga aos poucos

Amor é a eutanásia da alma

Silêncio é a fivela pontuda dessa correia que me prende de

todos os lados

Poema é pensamento leve que existe na presença de outros.

Text 24 Feb 4 notes Os puros e os esquecidos

Assim de repente, sem anúncio

você invadiu minha vida

mais atraente que a rosa mais rosa

mais tranquila que uma brisa no fim da tarde

mais tenra que a mais tenra idade

mais linda e adorável que a luz do luar

mais viva que verso em prosa

mais própria do que eu podia pensar

Tão pouco vivemos juntas

e já sinto que sempre esteve comigo

estavas comigo porque reflete meus desejos

estavas comigo em pensamento sem mesmo saber

Flor muito mais que delicada

não te aborreças com sussurros que percorrem distâncias enormes

não te aborreças com o mal que transcende a raiva

os sábios e ardilosos recursos de enganar.

isso é tudo infinitamente humano.

Descansa em mim tuas ansiedades e medos

recortaremos juntas alguns afetos e desafetos que nos forem enviados

exibindo com orgulho nossas conquistas e bondade

com o melhor e mais humano calor

que sobe dos pés até o breve contato com o coração

calor humano, fatalmente humano

com uma força que não se sabe

chamar-se, apenas, amor.

Photo 1 Feb Se achas que a sorte do outroé mais importanteÉ porque ainda não prestou atenção à sua dor individualSe colocas de lado suas preocupaçõesindagando se a gratificação valerá mais do que um sorrisoÉ porque esperas o triunfo geral do amore não vê que serás apenas vítima de um desastreSe tens que mudar suas categorias para enfim sentir-se aceitaÉ porque desconhece o sentido do efêmeroe acredita que ainda é possivel criar algotendo apenas como força motriz o desejo.Se acreditas que o sentimento é eternoé porque é eterno tudo aquilo que vive uma fração de segundomas com tamanha itensidade que se petrifica e nenhuma forçamesmo que tentando se fazer de desinteressada poderá destruí-lo.Se permite que te provoquem e mesmo assim consegue manter-se plácidaÉ porque espera que cada um se realize e se consumacom seu poder de palavra e também seu poder de silêncio.Mas se, contudo, não se arrepende de fechar teus ouvidosaos insultos ou até mesmo aos apelos de seu coração,que já desesperançado atenta-te para os perigosÉ porque algo extraordinário aconteceuVocê sentiu, mesmo que por pouco tempo, o puroorvalho da alma. E pode parecer estranho…mas foi pela primeira vez.E mesmo que no fim chamem-na de fraca, aflita e submissa…Nada mais importará. E quando as ruas mudarem de rumo,você se esguerá digna de imensa admiração.E muitos entenderão o recado.

Se achas que a sorte do outro
é mais importante
É porque ainda não prestou atenção à sua dor individual

Se colocas de lado suas preocupações
indagando se a gratificação valerá mais do que um sorriso
É porque esperas o triunfo geral do amor
e não vê que serás apenas vítima de um desastre

Se tens que mudar suas categorias para enfim sentir-se aceita
É porque desconhece o sentido do efêmero
e acredita que ainda é possivel criar algo
tendo apenas como força motriz o desejo.

Se acreditas que o sentimento é eterno
é porque é eterno tudo aquilo que vive uma fração de segundo
mas com tamanha itensidade que se petrifica e nenhuma força
mesmo que tentando se fazer de desinteressada poderá destruí-lo.

Se permite que te provoquem e mesmo assim consegue manter-se plácida
É porque espera que cada um se realize e se consuma
com seu poder de palavra e também seu poder de silêncio.

Mas se, contudo, não se arrepende de fechar teus ouvidos
aos insultos ou até mesmo aos apelos de seu coração,
que já desesperançado atenta-te para os perigos
É porque algo extraordinário aconteceu

Você sentiu, mesmo que por pouco tempo, o puro
orvalho da alma. E pode parecer estranho…mas foi pela primeira vez.
E mesmo que no fim chamem-na de fraca, aflita e submissa…
Nada mais importará. E quando as ruas mudarem de rumo,
você se esguerá digna de imensa admiração.
E muitos entenderão o recado.

Text 27 Sep 11 notes Motivos

Eu,
às vezes …

Você,
quem sabe …

Nós,
mera imaginação.

Um corpo
entra em meus sonhos.
Um corpo,
Você.

Às vezes,
você.

Quem sabe,
você?

Eu ?
Nunca!!

Perco os sentidos,
enrolo e
incinero os
motivos.

Às vezes
a fumaça purifica
o ambiente.

Eu,
às vezes …

Nós,
quem sabe …

Você,
mera imaginação,
pura fumaça,
que se dilui
no monócito de
carbono.

Perco os motivos.

Photo 16 Sep 4 notes Tanta indecisão acabou com a zona de desejo.
Fiquei ali, contemplando minha própria vida sem amor ou curiosidade.
No entanto algumas experiências me despertam:
Desespero beirando à melancolia, pequenas solidões, amores repelidos.
Tenho tido muito medo de viver… Vírginia Woolf já dizia
que sempre sentira que era muito, muito perigoso viver, por um só dia que fosse.
Ah mas se eu pudesse passar por tudo e sofrer arranhões apenas no corpo…
Como penso nisso!
Pensamento que há muito me atormenta, que conheci ainda criança e só.
Foi quando troquei uma pequena adoração por suspeitas.
Escrever me alivia, conserva o disfarce.
E sei que algumas [poucas] flores me inspiram, me aguçam o tom, e me possuem,
mesmo sem saberem…
Desdobro-me às vezes, e ainda assim sou torta.
Permito, por vaidade, que alguns me vejam disforme e pura.
Quem sabe alguém, perspicazmente, ou por um lance de sorte consiga enxergar
a beleza oculta nessa minha alteridade.
E fico inerte, na zona do desejo…
Olhando até onde alcança minha ironia.
Esperando que você…

Tanta indecisão acabou com a zona de desejo.

Fiquei ali, contemplando minha própria vida sem amor ou curiosidade.

No entanto algumas experiências me despertam:

Desespero beirando à melancolia, pequenas solidões, amores repelidos.

Tenho tido muito medo de viver… Vírginia Woolf já dizia

que sempre sentira que era muito, muito perigoso viver, por um só dia que fosse.

Ah mas se eu pudesse passar por tudo e sofrer arranhões apenas no corpo…

Como penso nisso!

Pensamento que há muito me atormenta, que conheci ainda criança e só.

Foi quando troquei uma pequena adoração por suspeitas.

Escrever me alivia, conserva o disfarce.

E sei que algumas [poucas] flores me inspiram, me aguçam o tom, e me possuem,

mesmo sem saberem…

Desdobro-me às vezes, e ainda assim sou torta.

Permito, por vaidade, que alguns me vejam disforme e pura.

Quem sabe alguém, perspicazmente, ou por um lance de sorte consiga enxergar

a beleza oculta nessa minha alteridade.

E fico inerte, na zona do desejo…

Olhando até onde alcança minha ironia.

Esperando que você…

Photo 27 Aug 3 notes Sentada no canto da mesa alimento-mede razões tortas, vaidade torta, felicidade torta.Por que você não vem para matar a minha festa?Se tanto assim queria…Eu sei como entre bocejos você me olha…Sábia e ardilosa, desprendida.Por que vinho?O vinho era só um pretexto, nem precisávamosbeber se tudo ao nosso redor já girava.E girava com tanto volumerecobria-me de poesia, ou seria invenção?Uma sombra sobre formas constituídas de matéria torta.Todos me olham, tenho unhas sujas de sanguee o vestido rasgado.Mesmo assim ali permaneço, te olhando nos olhos.E isso tudo é tão terrivelmente adulto.Estou a esperar que você desça de sua nobrezae com seu maxilar inferior se aproximerenda-se ao rubor que incendeia a mim e a tie diga da forma mais devastadora com“traços cômicos”, que apesar da sua naturezaambígua e reticente, você não sente.Não sente nada.

Sentada no canto da mesa alimento-me
de razões tortas, vaidade torta, felicidade torta.
Por que você não vem para matar a minha festa?
Se tanto assim queria…
Eu sei como entre bocejos você me olha…
Sábia e ardilosa, desprendida.
Por que vinho?
O vinho era só um pretexto, nem precisávamos
beber se tudo ao nosso redor já girava.
E girava com tanto volume
recobria-me de poesia, ou seria invenção?
Uma sombra sobre formas constituídas de matéria torta.
Todos me olham, tenho unhas sujas de sangue
e o vestido rasgado.
Mesmo assim ali permaneço, te olhando nos olhos.
E isso tudo é tão terrivelmente adulto.
Estou a esperar que você desça de sua nobreza
e com seu maxilar inferior se aproxime
renda-se ao rubor que incendeia a mim e a ti
e diga da forma mais devastadora com
“traços cômicos”, que apesar da sua natureza
ambígua e reticente, você não sente.
Não sente nada.

Photo 23 Aug 4 notes Hoje á tarde eu escrevi uma história.
 Recortei fatos, misturei figuras, reconstruí a indefinição que sempre me atormentou, reconstruí a frase incompleta. Pode até ser banal mas, somente cinco palavras apareciam e o vazio emocional apagava a suposta desinência. Histórias são feitas de emoções … Estas palavras se repetiam, se repetiam e a frase não era completada. O despreparo e a alienação tomaram conta da caneta tinteiro, manchando uma belíssima idéia que permanecia nas entrelinhas. A esperança por mais que imortal, já demonstrava impaciência deixando-me sozinha entre um substantivo e uma vírgula. Histórias são feitas de emoções … Hoje à tarde eu escrevi uma história , se é que dois parágrafos vazios podem ser chamados de história. Recortei fatos com uma tesoura cega, misturei figuras indefinidas, reconstruí fotos rasgadas num momento de raiva. Pode até ser banal mas, somente cinco doses me separavam de um coma alcóolico e o vazio emocional me angustiava. Hoje à tarde eu escrevi uma história. 
Performática ou excêntrica, não sei. Tenho dúvidas pois, rótulos nunca me agradaram. Por este motivo não rotulo meus sentimentos,apenas sinto-os e me recolho nesta ignorância. Histórias são feitas de emoções. Vidas são feitas de histórias. Emoções são momentos. Momentos são instantes mais demorados. Histórias são feitas de emoções e infelizmente eu sou insensível. 
Infelizmente.

Hoje á tarde eu escrevi uma história.

Recortei fatos, misturei figuras, reconstruí a indefinição que sempre me atormentou, 
reconstruí a frase incompleta. Pode até ser banal mas, somente cinco palavras 
apareciam e o vazio emocional apagava a suposta desinência. 

Histórias são feitas de emoções … 

Estas palavras se repetiam, se repetiam e a frase não era 
completada. O despreparo e a alienação tomaram conta da caneta 
tinteiro, manchando uma belíssima idéia que permanecia nas entrelinhas. A 
esperança por mais que imortal, já demonstrava impaciência deixando-me sozinha 
entre um substantivo e uma vírgula. 

Histórias são feitas de emoções … 

Hoje à tarde eu escrevi uma história , se é que dois 
parágrafos vazios podem ser chamados de história. Recortei fatos com uma tesoura 
cega, misturei figuras indefinidas, reconstruí fotos rasgadas num momento de 
raiva. Pode até ser banal mas, somente cinco doses me separavam de um 
coma alcóolico e o vazio emocional me angustiava. 

Hoje à tarde eu escrevi uma história.

Performática ou excêntrica, não sei. Tenho dúvidas pois, rótulos nunca me agradaram. Por este 
motivo não rotulo meus sentimentos,apenas sinto-os e me recolho nesta ignorância. 

Histórias são feitas de emoções. 
Vidas são feitas de histórias. 
Emoções são momentos. 
Momentos são instantes mais demorados. 
Histórias são feitas de emoções 
e infelizmente eu sou insensível. 

Infelizmente.


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